Digital Storytelling e Creative Commons

A primeira coisa que me veio à mente quando me deparei com o termo “digital storytelling” foi um género de jogos de computador que caiu em desuso nos últimos anos: as aventuras gráficas.
Nesse tipo de jogos, que foram a evolução natural das aventuras em texto dos primórdios dos computadores, o jogador vivia uma aventura ao ser inserido num ambiente em que interagia com os objetos e personagens que ia encontrando, que lhe iam fornecendo pistas que, corretamente interpretadas, ajudavam o jogador a evoluir na narrativa, até ao desejado desfecho.
Apesar de, à partida, o nome poder indicar o mesmo tipo de envolvimento, o conceito sobre o qual me debruço nestas linhas é diferente.
Trata-se antes da produção, para fins educativos ou não, de artefactos digitais que contem uma pequena história, aliando assim a tradição da narrativa oral, da partilha de conhecimentos através do contar de histórias, às possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias da informação disponíveis, hoje em dia, a um universo muito alargado de utilizadores.
Essas digital stories tem, tipicamente, uma duração entre 2 e 4 minutos, podem ser constituídas por imagens estáticas ou em movimento, e devem ser estruturadas segundo regras bem definidas a nível de guião e âmbito para se enquadrarem no conceito.
Este tipo de artefacto adapta-se muito bem ao ambiente educativo, pois permite a expressão da criatividade do autor, combinando-a com a utilização de ferramentas tecnológicas que lhe são mais ou menos familiares ou que requerem uma curva de aprendizagem relativamente curta.
Abaixo fica um exemplo de uma digital story:

Outro exemplo:

E aqui uma pequena digital storu que explica um pouco mais sobre o conceito:

A criação de digital stories ajusta-se ao ensino contemporâneo também pela quantidade quase ilimitada de recursos que a Internet oferece, mas nem todos podem ser utilizados livremente. Os direitos autorais são uma questão que deve ser abordada com cautela e seriedade, pois levanta problemas e o seu não cumprimento pode levar a problemas legais.
Se no passado os direitos autorais definiam-se em termos de “todos os direitos reservados” e “domínio público”, a explosão de conteúdos na internet e a facilidade de cópia veio levantar questões legais que não se punham no período anterior à sua existência. Hoje em dia é fácil encontrar determinada informação, mas se esta estiver protegida por direitos autorais na forma tradicional é necessária a autorização expressa do detentor dos direitos para cópia.
Mas a Internet é, pela sua natureza, descentralizada, e a atitude vigente é de partilha de informação. O problema é que essa informação nem sempre é legalmente partilhável. Em resposta a esta questão, surgiram várias alternativas ao copyright restritivo tradicional, primeiro no campo do software (GPL, licença Apache, licença MIT, por exemplo) e mais tarde surgiram soluções genéricas, adaptáveis a todos os formatos de informação, como a Creative Commons.
Esta licença, promovia pela fundação com o mesmo nome, permite ao autor escolher quais os direitos que pretende reservar da sua obra, incluindo se esta pode ser ou não utilizada para fins comerciais sem a sua autorização expressa, mas não só: o autor pode especificar que a não podem existir trabalhos derivados da sua obra, por exemplo, ou que é sempre obrigatória a atribuição (menção do autor).
Trata-se assim de um quadro de licenciamento de obras bastante flexível que, numa época em que qualquer internauta acaba por, mais do que consumidor passivo de informação, criador de conteúdos, assume um papel importante neste novo paradigma de partilha de informação que carateriza o ciberspaço.

 

Site da Creative Commons